Por que o Bitcoin, considerado ‘ouro digital’, não sobe enquanto o ouro se aproxima de US$ 5.000

Destaques
- Bitcoin cai para US$ 89.588 enquanto ouro atinge recorde acima de US$ 4.900;
- Analistas apontam diferença de confiança e maturidade entre os ativos;
- Títulos do Tesouro e expectativas do Fed podem definir próxima direção do BTC.
Bitcoin (BTC) recuou abaixo da zona de suporte de US$ 90.000 e operava próximo a US$ 89.588 no momento da publicação. A queda ocorreu após uma breve tentativa de rompimento altista na semana passada. Por outro lado, o ouro atingiu uma máxima histórica acima de US$ 4.900 por onça no mesmo período. Esse cenário reforça as diferenças entre dois ativos frequentemente comparados como reservas de valor.
Bitcoin e ouro divergem em momento de incerteza macro
O analista Lancaster.ETH destacou em publicação no X a divergência no desempenho atual entre Bitcoin e ouro. Segundo ele, ambos os ativos compartilham narrativas semelhantes, porém apenas o ouro estabelece novos recordes históricos. O analista argumenta que essa diferença revela o que investidores aprendem durante períodos de incerteza macroeconômica.
O ouro, conforme explica Lancaster, possui reconhecimento e aceitação consolidados ao longo de séculos. Em contrapartida, muitos participantes do mercado ainda estão aprendendo sobre o Bitcoin. Essa lacuna de conhecimento, segundo o analista, pode acelerar vendas quando o medo se espalha pelo mercado.
O metal precioso demonstra capacidade defensiva em ciclos incertos devido à sua reputação construída ao longo de múltiplos séculos. Já o Bitcoin existe há pouco mais de uma década e depende fortemente de narrativas emergentes. Lancaster enfatiza que essa diferença não representa falha estrutural, mas sim um conceito em desenvolvimento.
Conforto e clareza tendem a dominar o comportamento dos investidores. O analista afirma que as pessoas vendem aquilo que temem e compram o que conhecem. Nesse sentido, o Bitcoin atravessa sua fase de construção de confiança, o que não invalida seu potencial estrutural. Assim, o ouro e prata subiram sob ameaça das tarifas de Trump sobre importações de oito nações europeias. Enquanto o ouro registrou novos recordes, o BTC “apagou” a maioria dos ganhos anuais após a ameaça tarifária.
Títulos e dólar podem determinar próximo movimento do Bitcoin
O analista Merlijn The Trader escreveu em publicação no X que o mundo tradicional ainda controla os fluxos de capital nesta fase. Prata e ouro acumularam altas, enquanto o Bitcoin ficou para trás.
Sua análise sugere que esse arranjo será modificado, uma vez que o atual choque macroeconômico diminua. O estresse nos títulos do Tesouro, segundo ele, pode impor alívio de liquidez, queda de rendimentos e desvalorização cambial. Essas circunstâncias foram caracterizadas como terreno fértil para o próximo ciclo de alta das criptomoedas. Merlijn observa que tais fatores normalmente impulsionam rotações de mercado antes de se materializarem nos preços das criptomoedas.
Apesar disso, o analista Jacob King argumentou em publicação no X que o capital está saindo de ativos especulativos e migrando para metais. King alega que o Bitcoin carece de utilidade clara no clima atual. Segundo ele, o ativo não protege investidores contra choques tarifários, instabilidade cambial ou estresse econômico mais amplo. King descreve o movimento como saída de capital do Bitcoin, não uma pausa temporária.
O ambiente macroeconômico mais amplo também foi atribuído à força do ouro. Peter Grant, vice-presidente e estrategista sênior de metais da Zaner Metals, mencionou fricção geopolítica e enfraquecimento do dólar. Expectativas de flexibilização do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) para o ano atual também foram citadas como força econômica importante.
Dados de inflação igualmente influenciam expectativas sobre taxas de juros. A inflação PCE dos EUA de novembro registrou 2,8% em termos anuais, conforme esperado. A taxa de inflação mensal aumentou 0,2%, alinhada com as previsões.
O PCE núcleo (Personal Consumption Expenditures, índice de despesas de consumo pessoal) registrou resultados comparáveis de 2,8% anual e 0,2% mensal. A consistência dos números mantém o foco do mercado em quando e quanto o Fed vai flexibilizar sua política monetária. O apetite por risco nas diferentes classes de ativos continua concentrado nas expectativas de política econômica.
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