Em meio a saídas nos ETFs de Bitcoin, BlackRock transfere R$ 835 mi para Coinbase

Destaques
- BlackRock transfere R$ 835 mi (US$ 160 mi) em Bitcoin e Ethereum para a Coinbase em meio a saídas líquidas nos ETFs;
- Kevin O'Leary afirma que instituições devem limitar exposição a cripto a 3% por conta de riscos da computação quântica;
- Tensões geopolíticas e incerteza macroeconômica reduzem apetite institucional por ativos de risco.
A maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, transferiu novas quantias de Bitcoin e Ethereum para a Coinbase, em um movimento que indica possível venda dos ativos. As moedas transferidas somam R$ 835 milhões (US$ 160 milhões) pelos preços atuais. A incerteza macroeconômica tem influenciado os fluxos dos ETFs, reduzindo o apetite por ativos de risco.
BlackRock envia R$ 600 mi em Bitcoin para a Coinbase
Registros da plataforma de análise on-chain Arkham mostraram diversas transferências do ETF de Bitcoin da BlackRock, o iShares Bitcoin Trust (IBIT), para carteiras da Coinbase Prime, realizadas em sequência e com poucos minutos de intervalo. A gestora transferiu ao todo 1.701 BTC e 22.661 ETH para a exchange, em um movimento que provavelmente visa à liquidação dessas posições.
Vale destacar que tanto o ETF de Ethereum quanto o de Bitcoin da BlackRock registraram saídas líquidas na semana passada, segundo dados da plataforma SoSoValue. Os ETFs de BTC acumularam resgates líquidos de cerca de R$ 1,88 bilhão (US$ 360 milhões) na semana, enquanto os ETFs de ETH registraram saídas de R$ 840 milhões (US$ 161 milhões).
Paralelamente, Kevin O’Leary — investidor conhecido pelo programa de televisão americano Shark Tank — afirmou que as instituições devem limitar sua exposição a cripto a apenas 3% enquanto a computação quântica representar riscos ao setor. Segundo ele, as finanças tradicionais estão concentrando suas posições em Bitcoin e Ethereum.
O’Leary acrescentou que as instituições estão reavaliando seus riscos após a queda dos mercados de criptomoedas em outubro de 2025. Ele argumentou que uma parcela significativa das altcoins — criptomoedas alternativas ao Bitcoin — ainda não se recuperou desde então, e que a concentração de capital está se intensificando nos ativos considerados mais consolidados.
Ventos macroeconômicos contrários pressionam os fluxos
As saídas de capital nos ETFs de Bitcoin e cripto têm ocorrido em paralelo ao enfraquecimento dos futuros de ações e ao aumento das tensões geopolíticas. De acordo com reportagem da Bloomberg, o Bitcoin tem se comportado recentemente como um ativo de tecnologia de alto beta — ou seja, com maior sensibilidade às manchetes macroeconômicas e às expectativas sobre as taxas de juros.
As tensões entre os Estados Unidos e o Irã levaram traders a reduzir sua exposição a instrumentos de alta volatilidade. O presidente americano Donald Trump emitiu um aviso ao Irã com “consequências” às vésperas das negociações sobre o programa nuclear iraniano, o que contribuiu para o clima de aversão ao risco nos mercados.

Além disso, a Bloomberg destacou que os fluxos dos ETFs continuam influenciando o momentum de preços, mesmo com os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA registrando saídas líquidas pela quarta semana consecutiva. Os dados de fluxo indicam uma redução do apetite institucional por risco, e não uma rotação entre ativos.
O sentimento de mercado piorou ainda mais nesta semana. O Fear and Greed Index (índice de medo e ganância) da CryptoQuant caiu para 10, entrando na zona de “medo extremo” — uma leitura que costuma ser acompanhada por baixo volume de negociações e redução nos aportes.
Segundo analistas de mercado, a faixa de R$ 313 mil (US$ 60 mil) representa um importante suporte de preço para o Bitcoin. Caso o BTC permaneça oscilando nesse patamar por um período prolongado, há risco de novas liquidações forçadas. Assim, a fraqueza nos fluxos de entrada pode limitar um eventual movimento de recuperação mais consistente.
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