CEO do Goldman Sachs revela posição em Bitcoin e defende regulamentação cripto

Destaques
- David Solomon, CEO do Goldman Sachs, confirma que possui Bitcoin pessoalmente e defende clareza regulatória para bancos;
- Regras atuais nos EUA proíbem grandes bancos de deter ou negociar Bitcoin diretamente;
- Brian Armstrong e o senador Bernie Moreno sinalizam avanços no projeto de lei sobre criptomoedas no Congresso americano.
David Solomon, CEO do Goldman Sachs, abordou ativos digitais e regulamentação durante sua participação no World Liberty Forum, na quarta-feira (18). Na ocasião, ele expôs sua posição pessoal em relação ao Bitcoin e comentou os esforços legislativos em andamento em Washington. As declarações ocorrem em meio ao debate sobre a supervisão de criptomoedas no Congresso dos Estados Unidos.
Goldman Sachs: posição pessoal em Bitcoin e limites regulatórios
De acordo com relatório da Forbes, David Solomon possui Bitcoin pessoalmente, ainda que em quantidade pequena. O CEO do Goldman Sachs fez a revelação durante sua fala no World Liberty Forum e afirmou ser um “observador do Bitcoin” que acompanha o mercado para compreender seu desenvolvimento.
Solomon destacou que os ativos digitais fazem parte de uma mudança estrutural mais ampla nos mercados financeiros e rejeitou a ideia de que bancos e empresas de criptomoedas sejam adversários. Para ele, ambos operam em um único sistema financeiro — mesmo que divergências pontuais de política possam surgir.
O principal fator que limita a atuação dos bancos no setor cripto, segundo Solomon, são as restrições regulatórias vigentes, que proíbem grandes instituições de deter ou negociar Bitcoin diretamente. Nesse sentido, ele afirmou que a clareza legislativa será determinante para o engajamento futuro dessas instituições.
O CEO também comentou o projeto de lei sobre estrutura de mercado de criptomoedas, que segue parado no Congresso. Empresas do setor que não têm interesse em dialogar com legisladores “deveriam se mudar para El Salvador”, disse Solomon.
Vale destacar que a exposição do Goldman Sachs a criptoativos por meio de produtos negociados em bolsa (exchange-traded products, ou ETPs) cresceu no quarto trimestre de 2024. A posição no iShares Bitcoin Trust, da BlackRock — o maior ETF de Bitcoin dos EUA —, superou US$ 1 bilhão ao final de 2025, enquanto as posições combinadas em ETFs de Solana e XRP somaram US$ 260 milhões.
Caso o ambiente regulatório evolua, Solomon indicou que a atuação como formador de mercado (market maker) em Bitcoin e Ethereum poderia ser considerada pelo banco.
Armstrong e Moreno sinalizam avanços na legislação cripto
Em paralelo, Brian Armstrong, CEO da Coinbase, maior corretora de criptomoedas dos EUA, apareceu ao lado do senador americano Bernie Moreno, do estado de Ohio, em entrevista à CNBC, também no evento realizado em Mar-a-Lago, na Flórida. Armstrong afirmou acreditar que um acordo equilibrado pode ser alcançado nas negociações em andamento no Congresso. “Há agora um caminho a seguir”, disse ele.
Segundo Armstrong, o projeto beneficiaria a indústria cripto, os bancos e os consumidores americanos. Ele reiterou o objetivo de tornar os Estados Unidos a capital mundial das criptomoedas e classificou o avanço nas negociações como um sinal positivo após meses de incerteza.
Armstrong também defendeu que as recompensas em stablecoin — ou seja, rendimentos pagos a usuários que mantêm moedas estáveis — são essenciais para o desenvolvimento do setor nos EUA. Ele afirmou ainda que alguns bancos já estão “se engajando” com ativos digitais e que parcerias entre instituições financeiras e a Coinbase estão sendo formadas.
No entanto, a divisão entre o setor cripto e os bancos persiste. Segundo informações anteriores, a Casa Branca deve convocar uma nova reunião, já que bancos e empresas de criptomoedas permanecem em impasse sobre o chamado stablecoin yield deal — um acordo que definiria se empresas cripto poderiam distribuir rendimentos de stablecoins aos usuários. Os bancos são favoráveis a uma proibição ampla dessa prática.
O senador Moreno, membro do Comitê Bancário do Senado americano, por sua vez, avaliou que as recompensas em stablecoin não deveriam ser um problema, pois beneficiariam os americanos. Para ele, a competição pelos recursos dos consumidores seria positiva. Moreno disse ainda ser otimista quanto à aprovação do projeto, com previsão de conclusão até abril.
- Tensão EUA-Irã derruba criptomoedas e eleva o medo no mercado
- Pi Network bate BTC, ETH e XRP; listagem na Kraken anima mercado
- Previsão Bitcoin: Willy Woo e a ameaça do Q-Day ao BTC
- Bitcoin pode chegar a R$ 255 mi até 2041, prevê Eric Jackson
- Perspectivas do Bitcoin enquanto ouro e prata perdem trilhões em valor