Baleia da era Satoshi vende US$ 750 milhões em Bitcoin

Destaques
- Baleia da era Satoshi vendeu US$ 750 milhões em BTC após 15 anos de inatividade;
- Fundos de hedge reduziram exposição a ETFs de Bitcoin em 28% no 4º trimestre de 2025;
- Consultores de investimento aumentaram posições no IBIT em 145% no último ano.
Uma baleia da era Satoshi — termo que designa investidores que acumularam Bitcoin nos primeiros anos após o lançamento da criptomoeda em 2009 — vendeu aproximadamente US$ 750 milhões (cerca de R$ 3,9 bilhões) em BTC após mais de 15 anos sem movimentar seus ativos. A venda ocorreu em meio a uma queda do mercado de criptomoedas, período em que fundos de hedge também reduziram significativamente suas posições em fundos de Bitcoin.
Baleia transfere 11.300 BTC para endereços de corretoras
Dados on-chain mostram que a baleia transferiu 11.300 tokens para endereços vinculados a corretoras de criptomoedas. Essa movimentação coincidiu com a queda do preço do Bitcoin para US$ 64 mil (R$ 331,5 mil) durante o início do pregão asiático desta segunda-feira, o menor patamar desde 6 de fevereiro. O recuo foi impulsionado por questões relacionadas a novas tarifas comerciais dos Estados Unidos, que afetaram os mercados globais.

A era Satoshi refere-se ao período inicial do Bitcoin, quando a criptomoeda foi lançada em 2009. Naquela época, apenas um grupo restrito de pessoas minerava as moedas, e a maioria desses investidores não movimentou seus tokens por anos.
Movimentações de grandes detentores de Bitcoin podem causar volatilidade de preços no curto prazo. Episódios semelhantes já foram responsáveis por oscilações significativas no passado, embora o impacto de longo prazo nem sempre seja relevante.
Alguns especialistas associaram a queda do mercado cripto a essa movimentação, uma vez que milhões de dólares em posições foram liquidados. Contudo, dados indicam que algumas carteiras reduziram sua atividade de venda.
A gestora VanEck observou que baleias que acumularam Bitcoin entre um e dois anos atrás diminuíram suas vendas, pois atualmente estão com prejuízo. Esse comportamento pode sinalizar uma estabilização do mercado no curto prazo, ainda que perdas adicionais não estejam descartadas.
Fundos de hedge reduzem exposição a ETFs de Bitcoin
De acordo com a Bloomberg, as participações totais em ETFs de Bitcoin dos principais gestores de fundos de hedge caíram 28% entre o terceiro e o quarto trimestre de 2025.

Um exemplo é a Brevan Howard, que transformou completamente seu portfólio no iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock, tornando-se a maior vendedora do ETF spot no quarto trimestre de 2025. As participações institucionais da gestora recuaram 86%, passando de US$ 2,4 bilhões (R$ 12,4 bilhões) para US$ 275 milhões (R$ 1,4 bilhão), o equivalente a 5,5 milhões de cotas.
Além disso, conforme reportado pelo CoinGape, a Universidade de Harvard reduziu suas participações no IBIT em 21%, realocando capital para Ethereum. Esse movimento reflete uma tendência entre investidores institucionais.
Por outro lado, alguns investidores contrariaram essa tendência e aumentaram suas posições durante a queda. O fundo soberano de Abu Dhabi, por exemplo, elevou sua posição no IBIT em 46% no quarto trimestre de 2025.
Já os consultores de investimento aumentaram suas posições agregadas no IBIT a cada trimestre ao longo do último ano, acumulando um crescimento de 145% em relação ao ano anterior.