Peter Schiff chama STRC da Strategy de esquema Ponzi e critica SEC

Destaques
- Peter Schiff classifica o STRC, ação preferencial perpétua da Strategy, como um esquema Ponzi.
- Schiff também critica a SEC por permitir que Michael Saylor promova o STRC.
- STRC se aproxima do valor nominal de US$ 100 com alta de mais de 9% nas ações MSTR.
O economista americano e defensor do ouro Peter Schiff voltou a criticar o STRC, ação preferencial perpétua da Strategy — empresa anteriormente conhecida como MicroStrategy e fundada por Michael Saylor —, classificando-a como um esquema Ponzi. Além disso, ele criticou a SEC (Securities and Exchange Commission, a comissão reguladora do mercado de capitais dos EUA) por não ter impedido a promoção do papel.
Enquanto isso, as ações MSTR — ticker do papel da Strategy na Nasdaq — subiram 9,39% na quarta-feira (23), aproximando o STRC do seu valor nominal de US$ 100. Analistas do mercado elevaram suas projeções de preço para o papel.
Peter Schiff intensifica ataques ao STRC da Strategy
A disputa de longa data entre Peter Schiff e Michael Saylor ganhou novos contornos com os ataques recentes de Schiff ao STRC. O economista afirma que o papel configura um esquema Ponzi, argumentando que os investidores estão prioritariamente atrás do dividendo anual de 11,5% — e não de exposição ao Bitcoin.
“Às vezes, um esquema Ponzi não é óbvio. O único sinal pode ser que parece bom demais para ser verdade. Mas esse não é o caso do STRC, que é o Ponzi mais evidente que já existiu”, afirmou Schiff em uma publicação no X em 23 de abril.
A Strategy utiliza as ações preferenciais perpétuas Stretch para captar recursos de investidores em busca de retorno fixo, oferecendo um dividendo de aproximadamente 11,5% ao ano, pago mensalmente. Com o capital levantado por meio dessas emissões, a empresa adquire mais Bitcoin. Atualmente, a companhia detém 815.061 BTC, avaliados em US$ 63,38 bilhões.
Além de questionar o modelo da empresa, Schiff também criticou a SEC por permitir que Saylor continue promovendo o STRC. “É mais uma prova de que não precisamos de uma SEC”, disse. O economista ainda realizou dois espaços de discussão ao vivo no X (X Spaces) para desafiar seus seguidores a contestar suas afirmações.
Na semana passada, Schiff já havia alertado Saylor sobre o risco de processos judiciais caso os dividendos do STRC sejam cancelados e o papel sofra forte desvalorização. Na ocasião, afirmou que o STRC seria “enganoso a ponto de constituir fraude” no contexto das compras de Bitcoin.
Ações sobem com recuperação do Bitcoin
Com a Strategy retomando sua acumulação de Bitcoin, as ações STRC chegaram a US$ 99,50 no after market (negociações após o horário regular de bolsa), aproximando-se novamente do valor nominal de US$ 100.
Ainda que as críticas de Schiff persistam, a estratégia de captação por meio de ações preferenciais perpétuas continua atraindo interesse de mercado. Matt Cole, CEO da Strive — gestora focada em ativos digitais —, declarou: “O crédito digital e o STRC representam uma ideia clara de vários trilhões de dólares. Em praticamente todas as dimensões, trata-se de um produto superior ao crédito privado tradicional.”
O STRC fechou o pregão com alta de 0,15%, a US$ 99,44. O volume negociado foi de 2,66 milhões de ações, acima da média de 2,4 milhões, o que pode indicar que a Strategy está próxima de retomar as aquisições de Bitcoin com os recursos captados.

Por sua vez, as ações MSTR encerraram o pregão com alta de 9,39%, a US$ 179,36. O preço intradiário variou entre a mínima de US$ 174,55 e a máxima de US$ 183,25, impulsionado pela valorização do Bitcoin acima dos US$ 79 mil após declarações do presidente norte-americano Donald Trump indicando a possível retomada de negociações de paz entre EUA e Irã.
O analista Lance Vitanza, do banco de investimentos TD Cowen, reiterou sua recomendação de compra para MSTR e manteve o preço-alvo em US$ 385. Segundo ele, a proposta de pagamento quinzenal de dividendos do STRC — atualmente pago uma vez ao mês — cria um ciclo contínuo de financiamento para a acumulação de Bitcoin.
No momento da publicação, o Bitcoin era negociado a cerca de US$ 77.615, com mínima de US$ 77.222 e máxima de US$ 79.468 nas últimas 24 horas. O volume de negociações aumentou em meio à realização de lucros por investidores de curto prazo.
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