Tensão EUA-Irã derruba criptomoedas e eleva o medo no mercado

O mercado de criptomoedas enfrenta nova rodada de pressão em meio a relatos sobre um possível conflito militar entre os Estados Unidos e o Irã. Nas últimas 24 horas, a capitalização total do mercado cripto recuou 1,67%, para US$ 2,31 trilhões, enquanto o índice CMC Fear & Greed — termômetro do sentimento dos investidores — caiu para 13 pontos, nível classificado como “Medo Extremo”.
Bitcoin e altcoins sob pressão com aumento do risco geopolítico
O mercado de criptomoedas permanece pressionado à medida que investidores reagem ao aumento das tensões geopolíticas e ao enfraquecimento do sentimento de risco. Historicamente, tanto o Bitcoin quanto as altcoins registram quedas abruptas durante choques geopolíticos, já que operadores migram capital para ativos mais seguros — como dólar e títulos soberanos. Além disso, liquidações forçadas em posições alavancadas tendem a amplificar as perdas no mercado.
O analista Ted, do perfil TedPillows no X (antigo Twitter), destacou que ouro, prata e petróleo estão em alta em razão do conflito entre EUA e Irã, ao passo que o Bitcoin segue em queda. Outro fator que pesa sobre o mercado é a incerteza em relação aos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), após os dados recentes de inflação nos EUA.
Episódios anteriores reforçam esse padrão. Durante os ataques de EUA e Israel a instalações nucleares iranianas em 2025, o preço do Bitcoin recuou entre 2% e 4% nos primeiros dias do conflito, chegando a operar abaixo de US$ 100 mil em algumas sessões. O Ethereum, por sua vez, caiu entre 7% e 8% no mesmo período. O mercado mais amplo também foi impactado, com bilhões de dólares em liquidações forçadas afetando investidores alavancados. Analistas apontam US$ 60 mil como suporte relevante para o Bitcoin, mas alertam que novos choques macroeconômicos poderiam pressionar os preços até a faixa de US$ 50 mil.
Polymarket eleva probabilidade de conflito EUA-Irã
Em paralelo à queda do mercado cripto, plataformas de previsão também passaram a atribuir probabilidades maiores a um conflito entre EUA e Irã. Conforme dados do Polymarket — plataforma descentralizada de apostas em eventos reais —, operadores precificaram uma chance de 40% de conflito até 28 de fevereiro. Esse percentual subiu para 66% até 31 de março, refletindo a crescente preocupação do mercado.

Para prazos mais longos, as probabilidades são ainda maiores: 71% até 30 de junho e 76% até 31 de dezembro. Esses números se sustentam enquanto as tensões geopolíticas permanecem elevadas. No mercado de commodities, o movimento defensivo já é visível: o preço do petróleo subiu para acima de US$ 64 por barril após os últimos relatórios, enquanto ativos de risco, como as criptomoedas, seguem sem fôlego para sustentar os níveis recentes.
Movimentação militar e negociações indiretas entre EUA e Irã
Segundo o veículo norte-americano Axios, há indícios de que um conflito entre EUA e Irã seria “iminente”, com Israel se preparando para um cenário de guerra “em questão de dias”. As fontes consultadas pelo Axios descrevem uma possível campanha conjunta de EUA e Israel contra os programas nuclear e de mísseis do Irã, que poderia se estender por semanas.
O portal Milk Road também reportou que o governo do presidente Donald Trump estuda a viabilidade de uma operação militar de grande escala contra o Irã. Ao mesmo tempo, conversas indiretas realizadas em Genebra teriam avançado, com o Irã esperado para apresentar uma proposta detalhada nos próximos 15 dias. Contudo, o vice-presidente americano JD Vance afirmou que o Irã ainda não cruzou as “linhas vermelhas” definidas pelos EUA.
Em paralelo, o Axios reportou uma significativa movimentação militar americana na região do Oriente Médio, incluindo dois porta-aviões, 12 navios de guerra e centenas de caças — entre eles F-35s e F-22s —, além de mais de 150 voos de carga transportando armamentos e munição para a região.
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