Clarity Act: Senado adia votação antes do recesso

Destaques
- Haridopolos alerta que atrasos podem tirar liderança dos EUA em cripto.
- Senado adia Clarity Act para tratar de 74 indicações de Trump.
- Câmara aprovou o Clarity Act por 294 a 134 votos em julho de 2025.
O deputado federal norte-americano Mike Haridopolos reafirmou publicamente seu apoio ao Clarity Act. O parlamentar também alertou que atrasos promovidos pelos democratas podem transferir a liderança dos Estados Unidos em ativos digitais para mercados estrangeiros.
Em entrevista ao programa Mornings with Maria, da Fox Business, o parlamentar, que integra o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, declarou: “Isso é para garantir que os mercados americanos sejam os principais mercados do mundo.”
A declaração ocorre em um momento delicado para o Clarity Act. Faltam poucos dias para o recesso de 8 de agosto, e o texto enfrenta um período conturbado no Senado.
Haridopolos critica politização do Senado às vésperas do recesso de agosto
A Câmara dos Representantes aprovou o Clarity Act em julho de 2025, com amplo apoio bipartidário: 294 votos a favor e 134 contra.
O projeto busca definir de forma clara as competências da SEC e da CFTC sobre ativos digitais. Além disso, a proposta pretende oferecer segurança jurídica para desenvolvedores de blockchain, corretoras e investidores, ao mesmo tempo em que protege consumidores e evita a fuga de capital para mercados estrangeiros.
Haridopolos, que votou a favor do projeto, tem sido um defensor constante da pauta. Em publicações anteriores no X, ele já havia destacado como as antigas abordagens baseadas apenas em fiscalização afastaram empresas de cripto do território americano.

Ao criticar a oposição democrata na Fox Business, ele afirmou: “Os democratas vão fazer política, abusar do privilégio de atraso e negar ao eleitor americano o que ele quer.”
A senadora Cynthia Lummis, aliada importante no Senado, reforçou a cobrança nas redes sociais, publicando no X: “Eu sou o projeto Clarity, no Capitólio”, ao pedir ação imediata no plenário.
A urgência é evidente. O líder da maioria no Senado, John Thune, sinalizou disposição para forçar uma votação no plenário mesmo sem os 60 votos necessários para superar uma obstrução, medida que colocaria cada senador diante de uma posição pública antes do recesso.
Atrasos no Senado e pressão do setor se intensificam com o tempo se esgotando
Essa votação no plenário está, agora, sob ameaça direta. O Senado colocou o Clarity Act em espera em 28 de julho para processar 74 indicações federais feitas por Trump e avançar com o Lindsey O. Graham Sanctioning Russia Act de 2026.
Dessa forma, uma votação do Clarity Act no plenário passou a ser considerada improvável antes da próxima semana, o que reduz a janela legislativa para apenas alguns dias antes do recesso de 8 de agosto.
A oposição também cresce fora do Congresso. A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, alertou o Congresso de que o projeto enfraqueceria a fiscalização estadual contra fraudes envolvendo criptomoedas.
Os democratas também questionam as cláusulas de ética presentes na versão mais recente do texto divulgada pelo Senado, que impõe restrições temporárias a autoridades públicas na emissão ou patrocínio de ativos digitais, com validade até cerca de 2029.
O apoio do setor ao projeto continua forte. A Charles Schwab declarou apoio formal ao Clarity Act, somando-se a Coinbase, Ripple, BlackRock, Fidelity, Goldman Sachs e a Digital Chamber, que seguem pressionando pela aprovação nas redes sociais.

Para os investidores, os riscos são altos. A aprovação do Clarity Act reduziria a incerteza regulatória que tem pesado sobre os fluxos institucionais, a atividade dos ETFs e a adoção corporativa de criptoativos.
Por outro lado, um novo atraso pode empurrar essa legislação histórica sobre a estrutura do mercado cripto para 2027 e, com isso, comprometer a competitividade americana na corrida global por ativos digitais.








