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Polícia Federal bate recorde em apreensões de criptomoedas em 2025 com USDT em destaque

1 mês ago Atualizado maio 11, 2026
Expertise : SEO, Ciência de Dados, Marketing de Conteúdo, Criptomoedas, Web3
Editor para a localização brasileira CoinGape Media desde 2024. Possui mais de 10 anos de experiência em conteúdo, marketing e SEO para a indústria de criptomoedas e Web3 (desde 2017). Como editor, ele é responsável pela curadoria dos conteúdos publicados, sua revisão e verificação. Anteriormente, contribuiu como PR Associate para a extinta ICOBox, atuando na elaboração de press releases de diversos projetos de criptomoedas (ICOs) para o público brasileiro e internacional. Também colaborou como Marketing Strategy Advisor para a PointPay nos estágios iniciais da exchange, com foco em sua expansão internacional. Depois, colaborou com a localização brasileira do BeInCrypto como estrategista de conteúdo, fornecendo suporte aos times editoriais local e internacional, análises de formatos de conteúdo, criação e gerenciamento de artigos, SEO técnico, entre outros. Para além do mercado de criptoativos, colaborou com publicações em outros portais de mídia, como: Empreendedor.com, Hostgator, Vitamina Publicitária e Profissas. Também atuou como parte do time de audiência do Jornal O Povo, coordenador de SEO do GetNinjas e Country Manager na StarOfService. Em 2024, participou como coautor do capítulo de SEO do Web Almanac e foi eleito como um dos 40 profissionais de SEO para se seguir pela Niara (também em 2025). Em nossa cobertura, priorizamos a análise de criptomoedas, principalmente Bitcoin, altcoins e memecoins. Além disso, cobrimos o noticiário diário sobre criptoativos.
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Agentes da Polícia Federal em operação com moedas físicas representativas de Bitcoin e Ethereum sobre mesa durante investigação de crimes com criptoativos

Destaques

  • Apreensões pela Polícia Federal atingiram R$ 71 milhões em 2025, mais de seis vezes acima de 2024.
  • Carteiras ilícitas receberam US$ 154 bilhões globalmente, segundo relatório da Chainalysis.
  • Brasil movimentou R$ 505 bilhões em criptoativos declarados, consolidando-se como 5º maior mercado mundial.

As apreensões de criptomoedas pela Polícia Federal (PF) alcançaram um recorde histórico em 2025, totalizando R$ 71 milhões. O montante representa um salto de mais de seis vezes em relação ao ano anterior, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação. Contudo, especialistas alertam que os valores confiscados representam apenas uma pequena fração das cifras bilionárias movimentadas por organizações criminosas no ambiente digital.

Os ativos digitais apreendidos foram identificados durante operações que investigaram tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, crimes cibernéticos, violações de direitos humanos e crimes ambientais. Entre os casos de maior destaque estão os ataques hackers contra a infraestrutura do Pix no Banco Central, que desviaram R$ 1,5 bilhão, além de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 12,2 bilhões entre 2017 e 2020.

A disparidade entre as apreensões e o volume movimentado por criminosos dimensiona o desafio enfrentado pelas autoridades brasileiras. De acordo com Drey Dias, diretor comercial da empresa de monitoramento de blockchain Chainalysis, carteiras digitais com histórico de participação em atividades ilícitas receberam US$ 154 bilhões (aproximadamente R$ 755 bilhões) em 2025, o que representa cerca de 1% do volume global transacionado no período.

A regulamentação avançou, mas criminalidade se sofisticou

O Brasil movimentou mais de R$ 505 bilhões em transações de criptomoedas declaradas à Receita Federal no ano passado, consolidando o país como o maior mercado da América Latina e o quinto maior usuário mundial de criptoativos. Entretanto, não existe atualmente um dado de referência sobre qual parcela desse montante possui origem ilícita.

Na resposta ao pedido de informação feito pela Folha de S.Paulo, a Polícia Federal reconheceu que o escopo de seu levantamento é limitado. A instituição não possui registro das apreensões anteriores a 2023 e os dados não incluem os ativos obtidos pelas polícias civis estaduais. Além disso, o sigilo das investigações e as lacunas no monitoramento de carteiras digitais suspeitas dificultam o trabalho de rastreamento, especialmente quando comparado a mercados mais regulados como os europeus.

Para o delegado da Polícia Civil do Distrito Federal, Vytautas Zumas, o aumento nas apreensões de criptomoedas durante investigações está alinhado tanto com a popularização desses ativos e seu maior uso criminoso quanto com o avanço da expertise das polícias em investigações digitais. Ele destacou que, entre 2020 e 2023, 90% dos profissionais de segurança ouvidos em sua pesquisa não tinham conhecimento sobre criptomoedas. “Hoje, isso já mudou bastante”, afirmou.

O cenário de investigação de crimes digitais evoluiu significativamente no Brasil nos últimos anos. Em 2022, Zumas liderou a criação do Núcleo de Operações com Criptoativos (NOC) no Ministério da Justiça, enquanto a Polícia Federal criou a Unidade Especial de Investigação de Crimes Cibernéticos. Atualmente, quase todos os estados possuem células especializadas na investigação de crimes na internet.

Stablecoins dominam transações ilícitas e dificultam rastreamento

O perfil das transações com criptomoedas no Brasil também se transformou consideravelmente. Em 2020, as transações com bitcoins respondiam por cerca de metade das operações. Hoje, representam menos de 10% do volume total. Desde 2021, a criptomoeda mais utilizada no país é o USDT, uma stablecoin ancorada no dólar americano que responde por aproximadamente dois terços das operações declaradas à Receita Federal.

A adesão ao USDT está relacionada à maior estabilidade de sua cotação e à velocidade de processamento das transações, que são liquidadas em segundos, enquanto uma transferência de bitcoin leva no mínimo 10 minutos. Porém, essa rapidez representa um obstáculo adicional para as autoridades. “No bitcoin, em que há uma transação a cada dez minutos, a gente tem um respiro para trabalhar”, explicou Zumas.

Segundo relatório da Chainalysis, as stablecoins concentraram 84% de todo o volume associado a endereços ilícitos em 2025. A liquidez elevada, somada à estabilidade de preço e à facilidade de transferências internacionais, transformou esses ativos no principal meio de movimentação de recursos no ecossistema criminoso.

A Tether, empresa que desenvolveu o USDT, informou que trabalha em estreita colaboração com parceiros jurídicos, regulatórios e autoridades policiais para garantir alinhamento com os mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e as exigências de transparência financeira.

Banco Central publica normas e inicia nova era regulatória

O Brasil ainda está construindo um arcabouço regulatório para as operações com criptoativos, sob responsabilidade do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No fim de 2025, a autoridade monetária publicou três resoluções que operacionalizam a Lei de Ativos Virtuais de 2022, detalhando mecanismos contra lavagem de dinheiro, financiamento de terrorismo e exigências de transparência.

As normas criaram as Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs), empresas autorizadas a atuar no setor. As resoluções BCB 519, 520 e 521 entraram em vigor em 2 de fevereiro de 2026, estabelecendo diretrizes de governança, segurança e transparência. As prestadoras de serviços terão nove meses para solicitar autorização formal ao Banco Central e adequar seus processos internos.

A partir de maio de 2026, tornou-se obrigatória a prestação de informações dessas operações ao BC. Entre as atividades consideradas operações de câmbio com criptoativos estão: pagamentos ou transferências internacionais usando criptomoedas, uso de ativos virtuais para quitar obrigações em cartões internacionais, transferência de criptoativos entre carteiras autocustodiadas e compra, venda ou troca de ativos virtuais lastreados em moedas fiduciárias.

Embora os dispositivos tenham começado a valer em fevereiro de 2026, ainda não existe um braço estruturado no Banco Central para fiscalizar o cumprimento das regras publicadas, segundo a Associação Nacional dos Auditores do BC (ANBCB). O Banco Central não respondeu aos questionamentos sobre o tema.

De acordo com falas recentes de porta-vozes da autoridade monetária em eventos, a fiscalização das stablecoins como o USDT está no topo da lista de prioridades. Além disso, o BC pretende supervisionar práticas de segregação patrimonial com criptoativos e o modelo de crypto as a service, em que fintechs oferecem serviços baseados em criptomoedas para atividades financeiras cotidianas.

Criminosos adaptam estratégias e exploram novas ferramentas

Nas mãos dos criminosos, as moedas digitais servem para enviar remessas ao exterior e ocultar valores do sistema financeiro e do governo, uma vez que a declaração desses bens depende da proatividade dos proprietários. O objetivo é apagar a origem do dinheiro do crime.

As investigações da Polícia Federal revelaram a presença de bitcoins e stablecoins em diversos esquemas criminosos. Além dos ataques ao Pix, também estiveram no alvo grandes lavadores de dinheiro, incluindo um com relações simultâneas com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o grupo Hezbollah, além de redes de tráfico humano que levam brasileiros a centrais telefônicas fraudulentas no Myanmar e na África.

Ao mesmo tempo em que as criptomoedas são utilizadas por criminosos, elas se tornaram uma ferramenta de investigação para os agentes mais atualizados. As transações com bitcoins, por exemplo, são públicas e estão disponíveis para consulta, embora seja possível mascará-las com auxílio de certas ferramentas.

No caso da operação policial que prendeu os suspeitos pelo desvio de R$ 813,79 milhões de contas mantidas no BC, a Polícia Federal descobriu a identidade dos investigados por meio de ordens de quebra de sigilo a corretoras de criptomoedas. Os policiais encontraram o dinheiro desviado usado para comprar criptomoedas e continuaram seguindo as operações com criptoativos.

Empresas como a Chainalysis marcam carteiras de criptomoedas com rótulos específicos. Instituições confiáveis ganham marcas por sua credibilidade, enquanto endereços ligados a grupos criminosos têm seu histórico anotado no sistema da companhia de segurança, que é consultado pelas corretoras de criptoativos como referência.

Segundo Dias, da Chainalysis, a rotulagem de carteiras digitais ligadas ao crime no Brasil ainda possui lacunas significativas em comparação a mercados europeus, o que dificulta o congelamento de ativos ilícitos. Além disso, o sigilo das investigações sobre o tema também representa um obstáculo para esse trabalho.

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