Por que as ações da Coinbase estão em queda hoje

Destaques
- Ação da Coinbase caiu 1,24% com pressão da inflação sobre criptoativos.
- Chance de alta de juros do Fed subiu para 71% antes do FOMC.
- Suporte em US$ 169,95 pode abrir caminho para recuperação até US$ 175.
As ações da Coinbase (COIN) foram cotadas a US$ 172,30 nesta quinta-feira. Isto após os dados de inflação ao produtor terem vindo mais fortes do que o esperado. Eles pressionaram as ações ligadas a criptomoedas. O papel recuou 1,24%, refletindo o temor de um aperto monetário mais rígido. O mercado de criptomoedas, por sua vez, caiu 2,32%, para US$ 2,62 trilhões, à medida que investidores reduziram exposição a risco.
O preço do bitcoin caiu para menos de US$ 77 mil, após uma queda de US$ 1.200, enquanto o ethereum ficou abaixo de US$ 2.500. Assim, o relatório de inflação ao consumidor de sexta-feira deve ser determinante para os próximos movimentos das ações da Coinbase e dos ativos digitais.
Chance de alta de juros do Fed sobe para 71% antes da reunião do FOMC
Os mercados futuros elevaram a probabilidade de alta em setembro para 71%, ante 64% anteriormente. Além disso, já existe uma chance de 62% de novo aumento na reunião da próxima semana.
Essas probabilidades refletem apenas as expectativas precificadas pelo mercado, não uma decisão já tomada pelas autoridades monetárias.

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, enfrenta agora mais evidências de inflação persistente, um mercado de trabalho aquecido e preços do petróleo em alta. Os pedidos de auxílio-desemprego somaram 206 mil, enquanto os pedidos contínuos chegaram a 1,774 milhão. Os números indicam que as demissões seguem sob controle. Já a disparada do petróleo acima de US$ 100 acrescentou mais um fator de pressão inflacionária, às vésperas da reunião de dois dias do Fed.
O jornalista Nick Timiraos, do Wall Street Journal, apontou que o dado de CPI de sexta-feira será determinante para a decisão do Fed.
Dado de PPI aquecido intensifica preocupações com inflação
O Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) de agosto subiu 0,4% no mês e 5,4% no acumulado anual, acima do consenso de 5,3%. A inflação anual ao produtor avançou em relação a julho, contrariando expectativas de desaceleração gradual dos preços. Os preços no atacado permaneceram elevados, o que acende um alerta sobre a métrica de inflação preferida do Fed, o PCE.
Enquanto isso, os dados sólidos de pedidos de auxílio-desemprego sugeriram que a economia não caminha rapidamente para uma recessão. Esse cenário coloca as autoridades diante de um dilema: conter uma inflação persistente ou arriscar um aperto monetário excessivo.
A queda nos preços das criptomoedas, somada à redução no volume de negociação no varejo, pode afetar a Coinbase de forma dupla. Mudanças imediatas na atividade de transações já são perceptíveis, mesmo em meio à fraqueza geral do mercado.
Previsão para COIN: a Coinbase vai se recuperar após a queda?
As ações da Coinbase seguem pressionadas enquanto o bitcoin é negociado abaixo de US$ 78 mil e as expectativas de juros continuam subindo. A perspectiva de curto prazo depende de o papel se estabilizar acima da mínima intradiária de quinta-feira, em US$ 169,95. Esse nível, se sustentado, pode abrir caminho para uma recuperação até a máxima da sessão, em US$ 175, e, na sequência, até a próxima resistência.

Uma queda abaixo de US$ 169,95, por outro lado, abriria espaço para novas perdas nas ações da Coinbase, à medida que a pressão macroeconômica se espalha. Já uma recuperação consistente provavelmente dependeria de dados de CPI mais amenos, expectativas de juros menos agressivas ou uma recuperação forte do mercado de criptomoedas.
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