Preço do Bitcoin sobe com decisão dos EUA de manter tarifas sobre a China

Destaques
- Bitcoin ultrapassa US$ 68 mil com alta de mais de 7% nas últimas 24 horas.
- EUA sinalizam que não pretendem elevar as tarifas sobre produtos chineses.
- Mercado aguarda balanço trimestral da Nvidia, com 95% de chance de superar expectativas segundo a Polymarket.
O preço do Bitcoin (BTC) registra alta nesta terça-feira (25), superando a marca de US$ 68 mil. O movimento de recuperação ocorre após declarações de Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos (U.S. Trade Representative), de que o país não pretende elevar as tarifas sobre produtos chineses — uma sinalização que alivia as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.
Bitcoin ultrapassa US$ 68 mil após sinalização dos EUA sobre tarifas
De acordo com dados do CoinMarketCap, o Bitcoin é negociado a aproximadamente US$ 68.784, com valorização de 7,11% nas últimas 24 horas. O market cap da criptomoeda alcança US$ 1,37 trilhão, enquanto o volume negociado em 24 horas atinge US$ 44,63 bilhões. Na véspera, a principal criptomoeda havia recuado abaixo de US$ 65 mil após o presidente Donald Trump não mencionar o setor de criptomoedas em seu discurso sobre o Estado da União (State of the Union).
Contudo, o cenário se reverteu após entrevista de Greer à Fox Business, na qual ele revelou que os EUA planejam manter as tarifas sobre produtos chineses entre 35% e 50%. “Não pretendemos escalar além disso. Queremos realmente manter o acordo que já tínhamos antes”, afirmou o representante comercial.
Essa declaração reduz os temores de uma nova escalada na guerra comercial entre EUA e China, especialmente após a decisão da Suprema Corte americana que considerou ilegais as tarifas de Trump impostas com base na IEEPA (International Emergency Economic Powers Act). Anteriormente, a China havia alertado que responderia caso novas investigações comerciais resultassem em tarifas adicionais. Além disso, o desenvolvimento ocorre antes do encontro previsto entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping no próximo mês, no qual ambos devem discutir a extensão da atual trégua comercial.
Vale destacar que a guerra comercial entre os dois países no ano passado, desencadeada pelo anúncio das tarifas recíprocas de Trump, teve impacto negativo sobre o preço do BTC. O crash de outubro de 2025 no mercado de criptomoedas, por exemplo, ocorreu após a ameaça de Trump de impor uma tarifa de 100% sobre produtos chineses.

Balanço da Nvidia no radar dos investidores
Paralelamente, o mercado acompanha de perto a divulgação do balanço do quarto trimestre da Nvidia, previsto para hoje, que também pode influenciar o preço do BTC e o mercado cripto de forma mais ampla. Os investidores costumam utilizar os resultados da empresa como um termômetro da expansão do setor de inteligência artificial (IA), e esse relatório chega em meio a preocupações sobre uma possível bolha no segmento.
Nesse contexto, traders do mercado cripto apostam que a Nvidia superará as expectativas de lucro, o que poderia impulsionar ainda mais os mercados globais, que registraram arrefecimento recente. Dados da plataforma de previsões Polymarket indicam uma probabilidade de 95% de que a empresa — atualmente a mais valiosa do mundo em capitalização de mercado — supere os resultados trimestrais esperados.

Analistas alertam para riscos de queda adicional do Bitcoin
Apesar da recuperação recente, é importante observar que analistas de mercado permanecem cautelosos quanto à possibilidade de novas quedas no preço do Bitcoin. A empresa de pesquisa 10x Research alertou recentemente sobre um possível rompimento abaixo de US$ 60 mil nos próximos dias.
Além disso, a plataforma de análise on-chain CryptoQuant aponta fraqueza no chamado Coinbase Premium — indicador que mede a diferença de preço do BTC entre a Coinbase e outras exchanges —, sugerindo que a demanda pela criptomoeda entre investidores norte-americanos segue baixa. Ao mesmo tempo, Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, tem alertado sobre riscos nos mercados financeiros, traçando paralelos com as condições que antecederam a crise financeira de 2008.