Bolívia estuda incluir USDT da Tether em seu sistema de pagamentos

Destaques
- A Bolívia estuda oficializar o USDT em seu sistema de pagamentos, ao lado do dólar e do boliviano.
- Banco Unión e Banco FIE já oferecem serviços com o USDT, o que indica infraestrutura bancária pronta.
- Se aprovada, a medida tornaria a Bolívia o primeiro país latino-americano a integrar oficialmente o USDT.
A Bolívia avalia tornar o USDT, stablecoin emitida pela Tether, parte oficial de seu sistema nacional de pagamentos, em conjunto com o dólar americano e o boliviano.
A proposta representa uma mudança relevante na política monetária do país, que enfrenta escassez prolongada de moeda estrangeira. Além disso, o Banco Unión e o Banco FIE já oferecem serviços ligados ao USDT, o que sugere que a base para uma adoção mais ampla está estabelecida.
Crise do dólar na Bolívia impulsiona a adoção do USDT
Nos últimos anos, a Bolívia enfrenta forte pressão sobre suas reservas de moeda estrangeira. Com a queda na produção e nas exportações de gás, as reservas em dólar foram reduzidas, o que deixou empresas e importadores sem acesso adequado à moeda forte.
Em março de 2025, o governo autorizou a estatal de energia YPFB a aceitar pagamentos em criptomoedas para importações de combustível, sendo esse o primeiro movimento formal diante da escassez.
Posteriormente, em junho de 2025, o uso do USDT já havia se ampliado no varejo boliviano. Paolo Ardoino, CEO da Tether, publicou imagens de estabelecimentos comerciais no país vendendo produtos como laticínios e chocolates com pagamento em USDT.
O analista de criptomoedas CryptoPatel resumiu o cenário no X: “Quando sua moeda falha, traga a estável”. Dessa forma, o volume expressivo de usuários do USDT no varejo boliviano evidencia que a adoção do dólar digital tem sido motivada mais pela necessidade econômica do que pela regulação.
Reservas atuais de moeda estrangeira da Bolívia e prêmio do boliviano no mercado paralelo em comparação à taxa oficial.
Bancos já operam com USDT e status oficial ampliaria integração
O Banco Unión e o Banco FIE já disponibilizam serviços relacionados ao USDT, ou seja, a infraestrutura bancária necessária está estabelecida. Assim, uma eventual circulação oficial regularizaria uma prática que já ocorre no país, o que tornaria as remessas mais rápidas, reduziria custos de transação e ofereceria uma alternativa rastreável ao mercado paralelo do dólar.
Esse argumento de credibilidade é reforçado pelo esforço da Tether em conquistar confiança institucional. Em março de 2026, a empresa contratou a KPMG para realizar uma auditoria completa das reservas de US$ 185 bilhões que lastreiam o USDT. O objetivo é encerrar anos de debate sobre o lastro da stablecoin e demonstrar transparência compatível com integrações em nível soberano.
Do ponto de vista estratégico, a decisão teria peso relevante para a Bolívia, já que o país seria o primeiro da América Latina a adotar oficialmente o USDT como opção de pagamento ao lado das moedas fiduciárias. Em paralelo, esse foco vem se intensificando: a Tether encerrou recentemente o produto aUSDT para concentrar recursos no USDT, o que reforça a centralidade da stablecoin em sua expansão global.
Segundo analistas, outras economias emergentes com escassez semelhante de dólar, como países da África Subsaariana e partes do Sudeste Asiático, devem acompanhar de perto o experimento boliviano.
Por outro lado, a clareza regulatória permanece como ponto em aberto. Até o momento, o Banco Central da Bolívia não confirmou os termos formais de integração, tampouco existe marco legislativo definido. Ainda assim, o interesse do governo em avançar com a medida parece mais consistente do que em qualquer outro momento da breve trajetória do país no setor cripto.









