Bitcoin cai com temor de alta de juros do Fed nos EUA

Destaques
- Bitcoin recuou para perto de US$ 64.250 em meio à cautela do mercado.
- Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA sobem a 199 mil na última leitura.
- Chance de alta de juros do Fed em setembro gira perto de 57%.
O Bitcoin operou em queda nesta semana. A moeda reagiu a novos dados econômicos dos Estados Unidos e à crescente preocupação com os próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Cotado perto de US$ 64.250, o ativo segue pressionado pelas apostas do mercado em uma possível alta de juros na reunião de setembro. O cenário é pouco comum diante do atual ciclo econômico.
Bitcoin testa resistência perto de US$ 65 mil com dados de emprego em foco

No momento da publicação, o preço do BTC estava em US$ 64.250,65, com recuo de 0,31% nas últimas 24 horas. A capitalização de mercado do Bitcoin soma cerca de US$ 1,28 trilhão, com volume negociado em 24 horas próximo de US$ 18,19 bilhões. O gráfico BTC/USD mostra que o ativo se recuperou das mínimas recentes, na faixa dos US$ 62.400. Ainda assim, não conseguiu se firmar acima da resistência entre US$ 64.800 e US$ 65.000. Vendedores voltaram a atuar nessa região. Isso levou o preço de volta ao suporte próximo de US$ 64.000. O Índice de Medo e Ganância do mercado cripto, aliás, está em 38 pontos, faixa que ainda indica fear (medo) entre os investidores.
A queda também esteve ligada a dados de emprego dos EUA mais fortes do que o previsto. Segundo o Departamento do Trabalho dos EUA, os pedidos de auxílio-desemprego, ajustados sazonalmente, somaram 199 mil na semana encerrada em 1º de agosto. O total ficou um pouco acima dos 198 mil da semana anterior, mas seguiu abaixo da expectativa de 204 mil dos economistas. Apesar da leve alta, o número segue historicamente baixo e reforça a leitura de um mercado de trabalho ainda apertado.
A média móvel de quatro semanas também recuou, para 198.750. A queda foi de cerca de 4.500 pedidos em relação à média revisada anterior, de 203.250. Os dados não mostraram mudanças relevantes no quadro de desemprego, mesmo com a economia americana em transformação.
Cresce o temor de alta de juros do Fed sob comando de Kevin Warsh
Os dados recentes do mercado de trabalho aumentaram a pressão sobre o Fed para elevar os juros. O mercado de emprego segue resistente. Por isso, os dirigentes do banco central têm mais espaço para manter — ou até apertar — a política monetária.
Os investidores também acompanham de perto as sinalizações de Kevin Warsh, que assumiu a presidência do Fed em maio de 2026, no lugar de Jerome Powell. Desde então, Warsh tem adotado um tom mais rígido em relação à inflação, hoje em torno de 3,7% ao ano — bem acima da meta de 2%. Ele também tem evitado dar sinais claros sobre os próximos passos da política monetária.
O mercado agora volta as atenções para a reunião do Federal Open Market Committee (FOMC), o comitê de política monetária do Fed, marcada para 16 de setembro. Segundo o FedWatch, as chances de uma alta de 0,25 ponto percentual giravam perto de 57% no início de agosto. O percentual chegou a superar 80% no fim de julho, impulsionado pela disparada do petróleo, e recuou desde então. Ainda assim, segue bem acima dos menos de 15% registrados poucas semanas antes — sinal de que o mercado passou a levar a hipótese de alta a sério. Atualmente, os juros básicos dos EUA seguem entre 3,50% e 3,75%, patamar mantido pelo Fed na reunião de 29 de julho.
O que juros mais altos significam para o Bitcoin
Normalmente, juros mais altos são negativos para ativos de risco como o Bitcoin. Isso porque encarecem o crédito. Também tornam produtos de renda fixa em dólar mais atrativos frente a ativos voláteis, o que tende a reduzir o apetite dos investidores por risco. Esse cenário ajuda a explicar a pressão recente sobre o preço do BTC.
O Bitcoin ainda se mantém acima de níveis de suporte considerados importantes. Uma queda abaixo do suporte atual pode abrir espaço para novas vendas, enquanto uma recuperação que leve o preço de volta a acima de US$ 65.000 ajudaria a acalmar os compradores.








