Operação Fluxo Oculto: Receita Federal rastreia R$ 365 mi em criptoativos

Destaques
- Seis fintechs investigadas movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025 como bancos paralelos de uma organização criminosa.
- Autoridades rastrearam R$ 365 milhões em criptoativos em transações suspeitas de lavagem de dinheiro.
- Adulteração de combustíveis com nafta causou prejuízo de R$ 200 milhões em tributos sonegados em dois anos.
A Receita Federal deflagrou, na quinta-feira (28), a Operação Fluxo Oculto (segunda fase da Operação Carbono Oculto), em parceria com o Ministério Público de São Paulo, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e outros órgãos estaduais e federais. O objetivo é desmantelar esquemas de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis no setor de derivados de petróleo.
Seis fintechs investigadas por movimentar R$ 26 bi como bancos paralelos
Conforme apurado pelas autoridades, seis fintechs — empresas que utilizam tecnologia para oferecer serviços financeiros — atuavam como núcleo financeiro paralelo da organização criminosa. Juntas, movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, sendo utilizadas para compensações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, além de pagamentos a colaboradores do esquema. Uma dessas instituições, por si só, recebeu mais de R$ 1 bilhão em depósitos em espécie entre 2022 e 2024 — procedimento incompatível com a natureza de uma instituição de pagamento.
A ausência de compliance rigoroso — mecanismos internos de controle e conformidade regulatória — e o uso de “contas-bolsão”, que centralizavam e dispersavam valores ilícitos, dificultavam o rastreamento das transações e a identificação dos beneficiários.
Criptoativos rastreados em R$ 365 mi em transações suspeitas
Além disso, as investigações identificaram pelo menos R$ 365 milhões em criptoativos transferidos entre as fintechs investigadas e empresas suspeitas de lavagem de dinheiro. Das seis instituições, três entregaram a e-Financeira — declaração periódica enviada à Receita Federal — informando cerca de R$ 8 bilhões em movimentações em 2025; as outras três serão autuadas por descumprir a obrigação.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou o papel do instrumento:
“Nessa fase, foram identificadas movimentações graças às informações prestadas via e-Financeira, que é uma declaração enviada à Receita Federal e que auxilia justamente na identificação dessas operações.”
Adulteração de combustíveis com nafta e fundos para ocultar lucros
Em outra frente, as autoridades aprofundaram investigações sobre a adulteração de combustíveis automotivos com nafta petroquímica. O esquema funcionava assim: empresas de fachada adquiriam a nafta com isenção tributária, simulando destinação industrial; o produto, no entanto, era desviado e misturado a combustíveis revendidos em postos vinculados à organização. O prejuízo estimado chega a R$ 200 milhões em tributos sonegados em dois anos.
Os lucros obtidos eram direcionados a quatro fundos de investimento identificados pelas autoridades, com patrimônio atual de aproximadamente R$ 205 milhões — crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano.
Para dar suporte às investigações, agentes cumpriram 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
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