Reino Unido condena trio por roubo de £ 4 milhões em criptomoedas

Destaques
- A Polícia Metropolitana de Londres confirmou a condenação de três homens por fraude com criptomoedas avaliada em mais de £ 4 milhões
- O trio se passava por policiais em ligações telefônicas e usava sites falsos para convencer as vítimas a transferir os ativos.
- As penas variam de aproximadamente sete a onze anos de prisão, somando as condenações por fraude e lavagem de dinheiro.
Anthony Ikenwe, Hamza Bashir e Kevin Nwamma foram condenados pela Justiça britânica após liderarem um esquema de fraude que roubou mais de £ 4 milhões em criptomoedas de investidores. A Polícia Metropolitana de Londres revelou o desfecho do caso na última quinta-feira (16), após uma investigação iniciada em janeiro de 2025.
Segundo as autoridades, o grupo ligava para as vítimas, identificando-se como policiais, e afirmava que suas criptomoedas corriam risco. Dessa forma, os golpistas induziam os investidores a fornecer dados de acesso às carteiras digitais ou a transferir os fundos diretamente para contas que pareciam pertencer à polícia.
Como funcionava o esquema?
Além das ligações, a quadrilha mantinha sites que imitavam páginas oficiais da polícia britânica, o que reforçava a aparência de legitimidade. Assim que as vítimas realizavam as transferências, os criminosos lavavam o dinheiro por meio de uma rede financeira complexa.
O caso veio à tona depois que as vítimas procuraram as autoridades em janeiro de 2025. A partir daí, os investigadores cruzaram diferentes fontes de dados, incluindo transações registradas na blockchain, comunicações, registros financeiros, dados de corretoras de criptomoedas e informações de provedores de internet.
Com base nesse cruzamento, a polícia identificou apelidos, números de telefone, sites e padrões de gastos em comum, o que permitiu ligar casos que, a princípio, pareciam isolados a uma mesma rede criminosa organizada.
As prisões, sentenças e valores recuperados
Em novembro do ano passado, agentes cumpriram mandados simultâneos em sete endereços em Londres e no condado de Essex. Na ocasião, os três suspeitos foram presos e a polícia apreendeu 40 celulares, bens de luxo e ativos em criptomoedas. Todos foram formalmente acusados no dia seguinte e permaneceram sob custódia até o julgamento.
Ikenwe e Nwamma se declararam culpados em abril por conspiração para fraude e lavagem de dinheiro, incluindo quatro casos de conversão de bens de origem criminosa. Já Bashir negou envolvimento inicialmente e foi a julgamento, mas mudou sua declaração para culpado no oitavo dia do processo, diante do volume de provas apresentado pela acusação.
No dia 16 de julho, o Tribunal da Coroa de Southwark definiu as penas: Ikenwe recebeu seis anos por conspiração para fraude e cinco por lavagem de dinheiro, a serem cumpridos simultaneamente; Nwamma foi condenado à mesma pena; e Bashir recebeu três anos e nove meses por fraude e três anos por lavagem, também em regime concomitante.
Do total roubado das vítimas, a polícia conseguiu recuperar cerca de £ 1 milhão (aproximadamente R$ 6,9 milhões) diretamente ligados aos fundos. Os investigadores também rastrearam mais de £ 1 milhão em criptomoedas associadas a carteiras controladas por Ikenwe, além de transferências de Nwamma para contas ligadas à sua empresa de transporte executivo.
Suspeitos ostentavam vida de luxo com renda declarada mínima
As investigações mostraram um estilo de vida incompatível com a renda declarada pelos três condenados. Um deles, por exemplo, tinha renda anual registrada de apenas £ 444.
Entre os gastos identificados estão um carro avaliado em quase £ 60 mil (cerca de R$ 411 mil) comprado com criptomoedas, aproximadamente £ 500 mil (cerca de R$ 3,4 milhões) em dinheiro guardados em um cofre em Dubai e viagens à Tailândia, ao Japão, a Paris, Mykonos, Maldivas e Seychelles. Ademais, o grupo fazia compras recorrentes em grifes como Harrods, Hermès e Louis Vuitton e convertia parte das criptomoedas roubadas em cartões de pagamento. Os bens de luxo apreendidos nas buscas somaram mais de £ 26 mil.
O detetive-inspetor Geoff Donoghue, da Equipe de Criptomoedas da Polícia Metropolitana, classificou a apuração como altamente complexa:
“A Equipe de Criptomoedas rastreou meticulosamente milhões de libras, combinando diversas técnicas investigativas para desmantelar uma rede criminosa significativa. Os criminosos não devem ter dúvidas: o trabalho policial está evoluindo junto com a tecnologia.”
Casos de golpistas que se passam por autoridades para roubar criptomoedas também têm sido registrados no Brasil. Isto reforça a importância de verificar sempre a identidade de quem entra em contato alegando ser da polícia antes de realizar qualquer transferência.
A Polícia Metropolitana informou que segue trabalhando com parceiros no Reino Unido e no exterior para identificar outros envolvidos no esquema e para tentar recuperar mais ativos em benefício das vítimas.








