PF bloqueia R$ 631 mi em criptoativos de rede de tráfico internacional

Destaques
- A PF deflagrou a Operação Narco Sky e bloqueou R$ 631 mi em bens, valores e criptoativos de traficantes
- A organização exportava cocaína do Brasil para a Europa e a África por rotas marítimas
- Investigados usavam o aplicativo criptografado SKY ECC para ocultar comunicações e transações
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na terça-feira (2), a Operação Narco Sky, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína. Cerca de 30 agentes cumpriram dez mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos, em endereços localizados nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará.
A decisão judicial determinou ainda o bloqueio e sequestro de mais de R$ 631 milhões em bens, valores e criptoativos vinculados às pessoas físicas investigadas. Além disso, a Justiça autorizou a inclusão dos investigados na Difusão Vermelha da Interpol. Esta inclusão é o principal instrumento de cooperação policial internacional que permite a localização e eventual prisão de alvos em diferentes países (uma vez que parte dos suspeitos é formada por estrangeiros considerados foragidos).
Organização exportava cocaína para Europa e África por rotas marítimas
De acordo com a PF, o grupo utilizava rotas marítimas para transportar carregamentos de drogas produzidos ou embarcados no Brasil com destino a países da Europa e da África. As embarcações cruzavam o oceano Atlântico, e a organização ainda coordenava, por meio de grupos de chat, o resgate da droga em portos europeus (como Ancona, na Itália, e Antuérpia, na Bélgica) por equipes de campo locais.
A Narco Sky é um desdobramento direto da Operação Narco Vela, considerada uma das principais investigações recentes da PF contra o tráfico internacional de drogas por rotas marítimas. Cinco dos dez suspeitos alvos dos mandados já haviam sido presos na operação anterior.
Conforme a decisão judicial, foi identificado um núcleo de direção e financiamento localizado fora do país, responsável por providenciar recursos e tomar decisões estratégicas; um comando nacional responsável pela coordenação logística em território brasileiro; e células operacionais encarregadas do preparo, armazenamento e movimentação física da droga.
SKY ECC ocultava comunicações e transações da organização criminosa
Para dificultar o rastreamento das atividades, a organização utilizava um programa de mensagens criptografadas e se comunicava por codinomes para estruturar o envio de cocaína ao exterior. A plataforma em questão é a SKY ECC, aplicativo com chaves avançadas de proteção que visava impedir o acesso das autoridades às conversas do grupo.
A barreira tecnológica foi superada com o apoio de peritos internacionais. A investigação contou com o apoio de mecanismos de cooperação jurídica internacional — entre eles, autoridades da França, que compartilharam provas extraídas do aplicativo com os agentes brasileiros.
Os documentos recolhidos apontam o planejamento logístico para o transporte de mais de duas toneladas de drogas em remessas registradas ao longo de 2020, em portos da Espanha, da Itália e da Holanda. Entre os investigados identificados pela PF estão Alejandro Salgado Vega, conhecido como “Tigre”, narcotraficante espanhol apontado como responsável pela coordenação de remessas para a Europa e pelo monitoramento das cargas em território estrangeiro; e Marco Aurélio de Souza, o “Lelinho” ou “Pirata”, identificado como líder e coordenador central no Brasil, atuando como elo entre fornecedores estrangeiros e a estrutura local.
Os acusados devem responder pelo crime de associação para o tráfico ilícito na Justiça brasileira, cuja pena prevê punição para a união voluntária de pessoas com a finalidade de comercializar criptomoedas e outros produtos ilegais.
Fonte da imagem: Polícia Federal.
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