SEC adia lançamento de ETFs de mercados de previsão ligados a Polymarket e Kalshi

Destaques
- A SEC adiou o lançamento de ETFs de mercados de previsão ligados a Kalshi, Polymarket e outras plataformas.
- O regulador solicitou mais informações sobre o funcionamento e a divulgação de riscos dos produtos.
- Analistas avaliam que o atraso é temporário e que o lançamento deve ocorrer em breve.
A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) adiou o lançamento de ETFs (fundos de índice negociados em bolsa) de mercados de previsão vinculados às plataformas Kalshi e Polymarket, entre outras. O regulador busca mais esclarecimentos antes que esses produtos possam avançar para o mercado de ETFs.
SEC amplia o prazo de análise dos ETFs de mercados de previsão
No início deste ano, gestoras de ativos como Roundhill Investments, Bitwise Asset Management e GraniteShares submeteram pedidos de aprovação para ETFs de mercados de previsão. Esses fundos têm como objetivo rastrear plataformas como Kalshi e Polymarket, nas quais os usuários negociam probabilidades de resultados em eventos do mundo real — como eleições, recessões econômicas ou demissões em massa em empresas.
Embora o lançamento inicial desses fundos estivesse previsto para esta semana, o cronograma foi alterado. Conforme apurado pela Reuters em reportagem, os reguladores solicitaram mais detalhes sobre o funcionamento dos produtos e sobre como os riscos seriam comunicados aos investidores.
O atraso faz parte do processo de revisão de rotina da SEC. Pela regulamentação vigente, as propostas de ETFs geralmente entram em vigor dentro de um prazo de 75 dias, a menos que o órgão tome alguma providência. Como esse prazo estava se aproximando, uma nova rodada de análise foi iniciada.
Agentes do setor indicam que o impasse não necessariamente sinaliza resistência de longo prazo por parte do regulador. Um porta-voz da SEC envolvido nas discussões afirmou que a interrupção é apenas temporária e que os reguladores seguem em contato ativo com as gestoras.
Crescimento dos mercados de previsão
O interesse em produtos relacionados a mercados de previsão cresceu de forma acelerada no último ano. Kalshi e Polymarket ganharam visibilidade como plataformas capazes de antecipar resultados políticos relevantes, como a eleição presidencial americana de 2024 e a vitória de Donald Trump.
Esse crescimento atraiu corretoras tradicionais como Interactive Brokers e Robinhood, ambas avaliando maneiras de ampliar o acesso ao chamado event-based trading (negociação baseada em eventos).
Sobre o tema, Matt Hougan, diretor de investimentos (CIO) da Bitwise, afirmou: “É uma área que está amadurecendo rapidamente, assim como a regulamentação e a supervisão.”

Enquanto isso, Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg, também comentou o adiamento pelo X (antigo Twitter): “ETFs de mercados de previsão foram adiados pela SEC, de acordo com a Reuters. Eles estavam programados para começar a ser lançados na quinta-feira, mas a SEC está solicitando mais informações sobre mecânicas e divulgações. O atraso provavelmente é temporário, portanto, fique ligado.”
Paralelamente, a Coinbase encaminhou uma carta à Commodity Futures Trading Commission (CFTC) — a agência reguladora de mercados futuros dos EUA — a respeito da supervisão dos mercados de previsão.
Por que isso é relevante?
O adiamento da SEC é um indicativo de como os mercados de previsão estão deixando de ser uma novidade de nicho para se tornar um segmento financeiro com escala global. O volume negociado nesse mercado entre janeiro e outubro de 2025 já ultrapassou US$ 27,9 bilhões, e analistas do Citizens Financial Group estimam que a receita anual da indústria pode alcançar US$ 10 bilhões até 2030, segundo levantamento da Finsiders Brasil. Nesse contexto, a decisão do regulador americano sobre os ETFs da Kalshi e da Polymarket pode servir de referência para outros países que ainda definem seus marcos regulatórios — incluindo o Brasil.
Por aqui, o tema está longe de ser abstrato. Em vigor desde o início de maio, a Resolução CMN 5.298 proibiu apostas sobre temas como esportes, política e entretenimento em plataformas de mercados de previsão, permitindo apenas contratos ligados a variáveis econômicas e financeiras, sob supervisão da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), conforme informou a Agência Brasil. A Kalshi está entre os 27 sites de mercados preditivos bloqueados pelo governo federal em abril de 2026 — o que torna a trajetória da empresa ainda mais emblemática para o público brasileiro: a cofundadora da plataforma é a brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, formada em Ciência da Computação pelo MIT, que se tornou a bilionária mais jovem do mundo a construir a própria fortuna, com patrimônio estimado em US$ 1,3 bilhão, de acordo com a Forbes.
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