EUA confiscaram US$ 1 bilhão em criptomoedas do Irã, confirma Bessent

Destaques
- O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, confirmou que o país apreendeu cerca de US$ 1 bilhão em criptomoedas ligadas ao Irã.
- As apreensões fazem parte da Operação Economic Fury, campanha financeira liderada pelo Tesouro americano contra o regime iraniano.
- O Irã, por sua vez, montou um sistema de pedágio marítimo no Estreito de Ormuz exigindo pagamentos em criptomoedas.
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, revelou na última sexta-feira (29) que o governo norte-americano apreendeu aproximadamente US$ 1 bilhão em criptomoedas vinculadas a entidades do regime iraniano. O anúncio foi feito durante o Reagan National Economic Forum, em Simi Valley, na Califórnia, em entrevista ao apresentador Larry Kudlow, da Fox Business.
Bessent detalha operação e confisco de US$ 1 bilhão em criptomoedas do Irã
As apreensões integram a chamada Operação Economic Fury, campanha de pressão financeira coordenada pelo Tesouro americano com o objetivo de cortar as fontes de receita do regime iraniano, desmantelar redes de evasão de sanções, além de interromper o financiamento de armamentos. Segundo Bessent, a iniciativa faz parte de uma ofensiva mais ampla que combina bloqueios militares, congelamento de contas bancárias e apreensão de ativos.
Em suas declarações, o secretário descreveu a abordagem de forma direta: o governo americano simplesmente “tomou as wallets”. “Alguns deles talvez estejam digitando agora e percebendo que nem sabiam que suas carteiras tinham sido tomadas”, afirmou Bessent.
O valor declarado é quase o dobro da estimativa divulgada pelo próprio secretário em maio, quando ele havia mencionado cerca de US$ 500 milhões em criptoativos iranianos apreendidos. Além disso, Bessent indicou que novas designações e possíveis confiscos ainda estão previstos.
Vale destacar que, no início de 2026, um relatório da Elliptic (empresa especializada em análise de blockchain) já havia apontado que o Banco Central do Irã havia acumulado mais de US$ 500 milhões em USDT para contornar sanções internacionais e estabilizar sua moeda, o rial. No entanto, Bessent não confirmou se esses ativos específicos estavam entre os confiscados.
Tudo indica que as apreensões envolveram principalmente stablecoins, que podem ser congeladas por emissores centralizados, ou fundos mantidos em corretoras centralizadas. A Tether, por exemplo, congelou US$ 344 milhões em USDT em endereços na rede Tron associados à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) e ao Banco Central iraniano, em abril de 2026.
No mesmo evento, Bessent também revelou que os EUA trabalham com aliados europeus para apreender imóveis e outras propriedades pertencentes a membros do regime. Segundo suas estimativas, cerca de 80 líderes da Guarda Revolucionária desviam coletivamente entre US$ 400 e US$ 500 milhões por mês dos cofres do Estado iraniano.
Irã cobrava pedágio em criptomoedas no Estreito de Ormuz
Do lado iraniano, o regime montou em abril uma espécie de pedágio marítimo com criptomoedas no Estreito de Ormuz — via por onde transita cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, exigindo o pagamento de US$ 1 por barril de petróleo transportado, como condição para a passagem segura de navios petroleiros. Mais recentemente, o Irã chegou a lançar um site cobrando Bitcoin para oferecer um “seguro digital para cargas marítimas”, batizado de Hormuz Safe.
Em paralelo, golpistas se passando por autoridades iranianas passaram a contatar empresas de navegação com exigências fraudulentas de pagamento em Bitcoin e USDT, segundo relatou a agência Reuters em abril.
O contexto geopolítico evidencia como as criptomoedas se tornaram um elemento central nos conflitos modernos — tanto como ferramentas de evasão de sanções quanto como alvos de operações de inteligência financeira por parte dos governos.
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